1 de fevereiro de 2012

Museu Natural do Mangue – Sabiaguaba/Fortaleza

O Ecomuseu do Mangue oferece 12 estações nas trilhas pela área do estuário do Cocó - Foto: Diário do Nordeste

O ecossistema ribeirinho tem grande diversidade, mas vive ameaçado pela ação do predadora do homem.  Ao todo, o passeio tem a duração de quatro horas. Duas para sair da foz e percorrer até 1,5 quilômetros do Rio Pacoti, em Aquiraz, e mais duas para o retorno ao ponto de partida. Por todo o percurso, o participante passa a experimentar um mundo de diversidade de flora e fauna do manguezal e, sobretudo, a manter uma postura respeitosa, diante da vulnerabilidade do ecossistema, alvo do crescente processo de degradação.

O passeio é promovido pelo Museu Natural do Mangue, uma iniciativa do educador ambiental Rusty de Castro. Além do acervo natural, uma vez que está instalado em espaço aberto e público, a observação de espécimes nativas vegetais e animais são favorecidas com traslados em caiaques, caminhadas por uma trilha e pelo envolvimento com “o conhecimento interpretativo e conceitual”, como afirma Rusty de Castro.

Essa iniciativa existe há 10 anos e foi motivada, conforme conta Rusty, pela compreensão de que deveria tomar uma iniciativa, no sentido de defender um dos mais importantes e, ao mesmo tempo, negligenciado ecossistemas da natureza.

“O Museu surgiu em reunir, num primeiro momento, um acervo representativo da fauna e flora do lugar. No entanto, fomos sendo motivados a ampliar esse conhecimento na vivência do próprio local”, conta o educador ambiental.

Fragilidade

A fragilidade que passa o mangue no entorno do Rio Pacoti, que divide os Municípios de fortaleza e Aquiraz, chega até ser bem menor do que acontece em to outros mais próximos da Capital, como os dos rios Ceará e Cocó. “Na verdade, o Rio Pacoti tem mais proteção, porque seu acesso é dificultado pelo Beach Park, do lado do Aquiraz, e da Colônia de Férias da Cofeco, no lado de Fortaleza”, diz.

Mesmo assim, chama a atenção que a necessidade do morador ribeirinho pelos alimentos que o mangue oferece deixa todos em situação de vulnerabilidade. Além disso, lembra que a degradação tem-se acentuado com os projetos de carcinicultura, que tem sido os mais danosos e comprometedores para os estuários nos manguezais.

Estações

Segundo a monitora da Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico – Núcleo Fortaleza, Daniela Gurgel, iniciativas como essas são importantes para se oferecer um novo olhar sobre o meio ambiente. No último sábado, ela organizou passeio ao Museu do Mangue, com grupo de sócios da entidade.

“A gente não passa apenas a conhecer um novo tipo de vegetação, um novo tipo de solo e uma fauna e flora exóticas. Na verdade, o principal efeito, pelo menos para muitas pessoas, é a vontade de querer proteger”, afirma Daniela.

Com isso, lembra que vem estimulando os passeios de grupos, quando sempre se aproveita para se fazer coletas de lixo (principalmente plásticos) e fazer um repovoamento de espécies vegetais.

Modo de participar

Para participar dos passeios nas expedições pelo manguezal, Rusty de Castro solicita que haja um agendamento prévio, a fim de saber qual o perfil do grupo e que tipo de atividades podem ser desenvolvidas, conforme a capacidade física. No entanto, ressalta que é extensiva para diferentes grupos de faixas etárias. Também procura sair da foz quando a maré está alta e retornar quando está baixa. Na caminhada por terra, há paradas por 12 estações. Em cada uma, se faz uma apresentação do tipo de vegetação, com suas árvores características: os mangues vermelho, branco, botão e preto.

“Para nossas expedições ecoturísticas e desportivas utilizamos modernos caiaques. Num breve histórico antes da expedição, relatamos que os caiaques foram concebidos há séculos atrás. Construídos com ossos de baleias e revestidos de pele de foca, material disponível na região do Circulo Ártico”, ensina o ambientalistas.

Trilhas e canoagem

“São equipamentos modernos. As pessoas utilizam coletes salva vidas e fazemos uma breve introdução sobre como será o passeio e seus intervalos para explicações a cada estação”, antecipa. Ao final, é oferecido um lanche aos participantes.

Rusty é especialista em trilhas, expedição em canoagem, formação de guias mirins na área de educação ambiental. Além disso, atua como articulador de esportes de aventura. Ele reside com sua família em uma casa nas proximidades do mangue da Sabiaguaba.

FIQUE POR DENTRO
Mangue funciona como berçário de espécies do mar

Manguezal, também chamado de mangue,, é um ecossistema costeiro, de transição entre os ambientes terrestre e marinho, uma zona úmida característica de regiões tropicais e subtropicais. Associado às margens de baías, enseadas, barras, desembocaduras de rios, lagunas e reentrâncias costeiras, onde haja encontro de águas de rios com a do mar, ou diretamente expostos à linha da costa, está sujeito ao regime das marés, funcionando como berçário de espécies marinhas, particularmente os crustáceos e mariscos.

Mais informações:
Museu Natural do Mangue
Rua Professor Valdevino, S/N
Sabiaguaba
Telefone: (85) 87495286
projetoeducar@hotmail.com

MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER

Informações: Diário do Nordeste

Arquivado em Dicas de Viagem por Redação, às 6:09

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