Os primeiros sons do Carnaval já estão presentes nas ruas da cidade, entre o Campo Grande e o Pelourinho. Não são guitarras baianas, mas furadeiras, soldadeiras e outros equipamentos. Não são tambores, mas a batida seca dos martelos contra canos metálicos e compensados.
No lugar de músicos, trabalhadores são os artistas que transformam em circuitos de festa o que ainda são áreas de comércio, praças e pontos de ônibus. Os trabalhos estão mais adiantados no Campo Grande, onde a rotina dos pedestres já está sendo modificada.
Entre o Teatro Castro Alves e a Praça 2 de Julho (Campo Grande) estão sendo montadas as estruturas que compõem o “coração” do Circuito Osmar. Mas é na área que fica entre esses dois pontos, onde estão paradas de ônibus e bancas de revistas, que os pedestres encontram mais entraves à sua mobilidade. Para chegar aos pontos de ônibus, muitas pessoas têm de andar pela pista.
“Atrapalha, mas não acho que seja tanto. Acho pior a demora do ônibus”, comentou Solange dos Santos. Sua paciência com os distúrbios causados pela montagem é explicada por ela. “Tem que montar mesmo. Eu sempre brinco aqui no Campo Grande e este ano não vai ser diferente”, conta.
Nesse trecho está sendo montada a área de imprensa, os camarotes a partir dos quais serão transmitidas as imagens pelas emissoras de TV. Entretanto, o erguimento das estruturas no local está parado. “Estamos sem poder seguir com nosso trabalho, pois dependemos que a prefeitura remaneje o ponto de ônibus para outro local”, explica Jair Felix,
responsável pela montagem. Segundo ele, a partir da retirada do ponto de ônibus, com mais 10 dias o trabalho de sua equipe estará terminado.
Na parte da praça voltada para o teatro, já foram erguidas as duas grandes – e principais – arquibancadas do circuito. Entre elas, também em adiantado processo de montagem, está o Camarote Oficial, onde estarão as autoridades municipais, estudais e momescas (Rei Momo e Rainha do Carnaval).
Segundo Michel da Silva, coordenador da montagem na praça, os trabalhos começaram no dia 15 deste mês e devem continuar até o dia 15 de fevereiro. “A estrutura básica já está com 80% concluída, o que vai ficar faltando são os arremates, os trabalhos mais minuciosos e que toma mais tempo, e até o começo do Carnaval estarão sendo vistos alguns detalhes”,
informa.
As estruturas montadas pela equipe de Michel não chegam a forçar os pedestres a andar pela pista, mas entre os usuários da praça há quem não goste da limitação que elas impõem. “É horrível, já não dá para andar com a mesma liberdade que antes”, aponta Elisena Costa, que frequenta diariamente o local com seu cachorro. “À medida que vai chegando o Carnaval, vamos perdendo o espaço, e logo logo, nem eu nem ele (o cachorro) poderemos vir para a praça”, acrescentou.
De acordo com Michel da Silva, Elisena e seu cachorro poderão entrar da praça até o dia 14, quando placas de ferro fecharão o local. Ele informa ainda que a partir de terça-feira (24) mais duas arquibancadas serão instaladas no lado da praça que está de frente para a Avenida Sete, trabalho que será finalizado em dois dias.
Piedade – Na Praça da Piedade, as montagens de estruturas foram iniciadas no domingo e pouca coisa foi realizada. Os pedestres ainda não encontram obstáculos no local. Segundo Vando Filho, que coordena os trabalhos na praça, o que está sendo montado são as bases que sustentarão contêineres.
Alguns funcionarão como postos de saúde para atender os foliões, outros serão usados como “expurgos”, onde o lixo dos postos será armazenado. “A ideia é instalar os contêineres hoje à noite”, informa.
Pelourinho – No Pelô, ainda não há sinais de Carnaval. De acordo com a assessoria de imprensa do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), que está à frente do planejamento do Carnaval no Pelô, não há data ainda para o início da preparação do local. Os comerciantes esperam que o Carnaval do Pelô este ano seja melhor do que tem sido nos anos anteriores.
Ailtom Jonas, vendedor há dez anos, “põe fé” na folia deste ano. “Algo tem que ser feito, pois vem enfraquecendo ano a ano. Mas pelo que vi no Femadum, esse fim de semana, já poderemos contar com algo positivo: a segurança foi a melhor em muitos anos do festival”, disse. Informações: Tribuna da Bahia
Nenhum Comentário »
Nenhum comentário ainda.
Deixe um comentário